Antropologia e o respeito às diferenças
28 Agosto, 2007
Essa história de estudar antropologia é interessante.
Eu nunca fui muito fan de áreas do saber que pensem demais no que o outro pensa e, por isso, eu sempre resisti a estudar sociologia, antropologia, filosofia e por aí vai. É que sempre achei muita presunção você dizer que sabe, por exemplo, porque fulano sentou na cadeira. Eu sempre tive teorias muito simplórias, digamos assim, para responder questões assim -cá com os meus botões eu pensava: “sentou porque cansou de ficar em pé, ué!”; nunca quis compartilhar de teorias de filósofos que explicam o inocente ato de sentar na cadeira como resultado de se viver em uma sociedade capitalista que impõe este modo de se comportar como forma de sugar do trabalhador dinheiro e, assim, aumentar a diferença entre os ricos e pobres.
Para mim já era suficiente sentar e dizer que a pessoa sentou porque quis. Bem, eu me satisfazia, mas a antropologia, a sociologia, a filosofia e áreas afins não… pra mim é como se elas quisessem saber porque o macaco come banana.
Enfim, um saco e uma presunção sem tamanho…coisa de ser humano, entende? – pelo menos, era assim que pensava e que, de certa forma, ainda penso.
Mas com a Antropologia foi diferente. Pela primeira vez deixei minha preguiça e preconceito de lado e me permiti entender (e já não era sem tempo) que estudar a sociedade, os homens, os comportamentos pode ser algo realmente interessante e que vai muito além do óbvio e superficial.
É bacana, por exemplo, exercer a tolerância à diferença. Entender e praticar aquele lance de que o fato de ser diferente não estabelece entre os homens posições de superior ou inferior, civilizado ou selvagem. É legal também entender que através do estudo do outro, dos comportamentos, sentimentos, organizações sociais do outro, é possível se conhecer mais – conhecer seus hábitos, custumes, lógicas, e por aí vai.
É bem interessante também que o perceber e o adimitir o diferente não significa, necessariamente, mudar os seus valores, suas concepções e visões de mundo – o que recai novamente da negação da existência de pessoas e culturas melhores ou piores.
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De uns tempos para cá me peguei exercitando tudo isso – o estranhamento, a percepção, o questionamento, a aceitação, a tolerância e por aí vai. E foi fazendo isso que me perguntei até que ponto eu posso aceitar a diferença. Ou melhor, até que ponto uma outra pessoa pode ser diferente sem ser, digamos, “anormal” ou sem passar do limites, digamos assim.
Quero dizer que me peguei no questionamento de que não sei se somente assassinos, loucos, manícacos e toda a espécie de gente que compõe esta “classe” podem ser considerados desviantes, mas desviantes de uma forma negativa.
Isto é, cada um sai de casa vestindo o que quiser, Cada um namora do jeito que quuiser e cada um encara os riscos da vida do jeito que quiser. Mas até que ponto posso aceitar isso?
Vejamos um exemplo prático.
Digamos que eu seja homem e tenha uma namorada – vale lembrar que isso é SOMENTE e UNICAMENTE uma hipótese. Digamos que essa minha namorada queria ir para um show com as amigas e que meus amigos, que também estavam no show, vissem e me relatassem que ela ficou bêbada.
Isso é normal? Aceitável? Respeitável? Até que ponto eu posso cobrar da minha suposta namorada um determinado tipo de comportamento? E penso nisso não como facilmente solucionada a partir de uma combinação entre pessoas apaixonadas dispostas a ter uma relação amorosa tranquila; quesitiono isso a fim de obter uma resposta antropológica.
Sejamo francos: eu realmente não acharia certo que minha namorada saísse por aí se acabando de beber em um show. Estaria sendo preconceituoso? Moralista? Será possível que, em nome do posicionamento antropologicamente correto, eu tenha que assumir e toletar e entender situações assim?
Sinceramente? Me recuso.
Assim como me recuso que seja normal que meninos e meninas saiam beijando ou até transando por aí, de uma forma tão exagerada. Não acho certo, entendo como se as pessoas estivessem perdendo a noção do limite, do “saudável”, sabe?
E é aí que me questiono novamente: até que ponto posso ter minhas convicções e querer passá-las adiante?
Não é possível que eu seja obrigada a tolerar tudo e achar que tudo que todo mundo faz está certo nessa vida, simplesmente porque “respeito as diferenças”.
Não entra na minha cabeça, e me desculpem os cientistas e simpatizantes, que não possam existir sensos em comum sobre determinadas coisas e que, em algum momomento ou em relação a algum aspecto, a verdade absoluta não exista.
Não entra na minha cabeça isso. Não mesmo. Até porque se partirmos do pressuposto de que sensos em comum e verdades absolutas não têm necessariamente validade porque fulaninho ou cicraninho pensam e encaram a vida diferente, o mundo legaliza a bagunça.
(Nem pretensão de obter resposta ou de encontrar pessoas que concordem comigo eu postei esse post…quem dizer concorde, quem quiser discorde e quem quiser explique. Fui!)
E a educação mandou lembrança
17 Agosto, 2007
Se tem uma coisa que me irrita na vida é falta de educação. Eu parto do princípio de que gostando ou não de uma pessoa, você jamais deve tratá-la de forma grosseira; acho também que mesmo que o garçon de um restaurante, por exemplo, anote os pedidos errados ou não atenda ao seu pedido, é bom sempre lembrar de se colocar a educação em primeiro lugar. Pelo menos EU penso assim – e acho que outras pessoas (poucas, infelizmente) bem educadas por aí.
É claro que dias ruins existem e que as vezes ocorre um descontrole. Ou então, ÀS VEZES, e somente às vezes, você está sendo tão mal tratado que vale dar uma engrossada no discurso para ver se o ente-grosseiro com que você está se relacionando entende que, se for pra baixaria, o pário também será duro. hehehe
Mas enfim…
O caso foi que agora há pouco fui tentar entrar no site do meu banco para chegar meu extrato e me embananei com aquelas milhões de perguntas secretas, senhas e tantos outros procedimentos de segurança mas nem por isso menos burocráticos que bancos em geral exigem. Como resultado, meu acesso on-line ficou bloqueado e eu fui indicada a procurar a minha agência.
E lá fui eu, toda paciente, procurar o Banco – por telefone, é claro, já que eu, como uma pessoa que suspeita que bancos são hospícios disfarçados, evito ao máximo ir na agência.
ps: logo que eu entrei nessa história de acessar meu extrato pela internet (e isso virou uma mania na minha vida, quase uma neurose!), eu tive o mesmo problema. O nome da minha mãe, que é extremamente fora do comum (não pelo nome, mas pela escrita do nome), estava registrado errado no banco; ou seja, eu escrevi certo na hora de acessar a conta, mas deu como inválido. Como tentei escrever mais de duas vezes, acabou que minha conta foi bloqueada. E tive que entrar em contato com a agência. E o fiz, pelo telefone. E resolvi.
Só que dessa vez as coisas não aconteceram tão naturalmente e facilmente como da outra vez. Eu liguei agora para a agência, expliquei a situação, me passaram para milhões de pessoas que não a minha gerente (o que não entendi, já que liguei para o ramal da minha gerente) e, por final, caí neste diálogo cheeeeio de delicadezas:
- Almir, boa tarde.
- Oi, Almir. Eu estava tentando acessar minha conta pela internet, mas como digitei um dado errado mais de uma vez, o acesso ficou bloqueado. Como eu faço para desbloquear?
- Ó, minha filha, só você vindo aqui porque por telefone eu não resolvo não, viu?
- Mas é que eu já desbloqueei uma vez por telefone.
- Aí eu não sei. sei que eu, por telefone, não resolvo, minha filha. Você tem que vir aqui. Podia ser uma outra pessoa no seu nome e isso não é seguro, tá entendeNU?
- Hein?
- É, só por telefone.
….tu…tu…tu..tu…
Tá, o carinha lá estava certo. Realmente poderia ser outra pessoa no meu nome. Mas e daí? Precisa dessa grosseria, dessa falta de educação? Fala sério, não tenho que ficar aturando o mal humor alheio não. Me irrito seriamente com essas coisas..tÊm pessoas que passam por isso, acham uma falta de educação do rapaz, mas não fazem mais nada em relação a isso. Ah, eu faço!
Eu, além de reclamar o restante do dia vou falar com a gerente pessoalmente sobre o episódio. Que idéia, que absurdo sair dando patada por aí. Custa explicar a situação com calma, paciente e educação? Afinal, para melhorar a situação pro lado dele, ele tinha razão.Ridículo…aposto que se eu tivesse me identificado e dito que sou filha de quem sou nada disso tinha acontecido. Agora veja só se vou ficar cobrando educação porque sou filha de fulaninho…não mesmo, me recuso!
Escrever é sempre uma terapia, principalmente em momentos triste ou de confusão.
Não estava (ou estou, não sei) exatamente triste; a palavra certa seria angustiada. Meu coração estava apertado. Por uns momentos fui quem eu não custumava ser e quem eu nunca imaginei que poderia. Era uma mistura de neurose com insegurança com infantilidade com ciúmes. Entende?
Nada fácil lidar com este turbilhão de emoções ruins. NADA, absolutamente nada nesse “mix” presta…e eu cheia dele. Imagine só como eu estava (ou estou..).
Parei para pensar a razão de cada um desses sentimentos. Talvez se pensasse muito e se fizesse esforço chegaria à raiz da questão e quem sabe assim poderia resolver o problema.
A neurose e a insegurança têm um só motivo – e até eu chegar a esta conclusão demorou um pouco.
A razão? o tempo afastado. coisas aconteceram, pessoas mudaram, cresceram, se conheceram.
A cura? esquecer que houve ausência.
Ciúmes misturado com infantilidade pode ser (e na maioria das vezes é) uma combinação explosiva. Credo.
Razão? não saber controlar os meus extintos.
Cura? controlá-los, na medida do possível, do humano e do saudável.
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Uma tarde para se pensar muito…. Adiós!
Welcome Back!
8 Agosto, 2007
É vergonhoso ter um blog e não usá-lo. Ter idéias e não expressá-las, ter idéias e não transcrevê-las.
Mas é que desde o penúltimo post (o últiimo post foi tão vergonhoso e sem propósito que não merece ser mencionado), as idéias já não apareciam mais à cabeça de uma forma organizada. E, mesmo quando apareciam, apareciam em momentos errados onde tudo que me falta era um cumputador ou uma caneta e um papel para pequenas anotações.
Penso que teria perdido meu emprego se fosse colunista ou cronista de uma revista ou jornal e passasse por uma “crise” dessas. Talvez se eu fosse famosa, reconhecida no mercado por já trabalhar na área há anos, eu pudesse me dar ao luxo de simplesmente dizer: “não tenho idéias”. Talvez fosse fruto da atividade intensa realizada repetidamente todos os dias…
Mas este definivitamente não é o meu caso – eu nem em cronista ou colunista sou! Vergonhoso passar tanto tempo sem escrever… principalmente tendo tantas coisas acontecido, sido observadas… tanto assunto para escrever!
Na verdade, e pensei nisso agora, estivesse faltando só mais um pouco de esforço para colocar as idéias no “papel”; só mais um pouco de organização.
Então…
Eis que estou de volta!