Quando eu era pequena, eu sempre me imaginei como seria já na escola, lá pela 7ª ou 8ª séries. E, quando eu finalmente cheguei nesta época, eu achava que seria ainda melhor quando eu fosse ensino médio. E, de certa forma, foi. Mas aí, percebi que passei pelo primeiro e pelo segundo anos imaginando como seria quando eu chegasse no 3 ano, quando teria que me acabar de estudar, escolher uma profissão, me estressar, organizar minha e participar da minha formatura e que isso sim seria coisa boa. Mas aí, quando cheguei no terceiro ano e passei por ele, me vi bastante ansiosa para entrar na faculdade e finalmente colocar em prática o meu sonho de criança: ser jornalista.

Mas aí quando eu finalmente estou na faculdade…o que acontece? Eis que vejo que ainda melhor será quando eu me formar. E mais, quando eu crescer, trabalhar, me sustentar, casar, ter meus três filhinhos com nomes que já escolhi, viajar…enfim! o melhor ainda está por vir!

E sempre foi assim… quando eu era menina, queria usar sutiã e achava que seria feliz quando usasse. E quando finalmente começei a usar sutiã, percebi que aquilo lá era uma prisão, que incomodava, que apertava… e que ter um ou dois não é suficiente: tem sutiã sem alça, com alça cruzada, com só uma alça, sem custura, colorido..e por aí vai!

Quando eu era menina, eu também tinha outro desejo: eu queria crescer, eu queria virar mocinha,  queria menstruar. Mas aí eu menstruei e, dois ou três meses depois, eu percebi que isso definitivamente não traz felicidade, ou satisfação, ou qualquer coisa boa a ninguém; muito pelo contrário,  ela estressa mais que tudo porque é nojenta, é chata, impede de ir a praia, traz tpm e cólicas insuportáveis.

E quando eu era adolescente, eu queria usar aparelho e óculos. E, quando finalmente eu começei a usar aparelho, eu quis, no mesmo instante, tirá-lo. E com óculos foi igualzinho: mandei fazer meu óculos, e se eu uso uma ou duas vezes no mês já é um milagre!

E foi pensando nisso tudo que eu percebi que eu (e devem existir milhões de pessoas iguais a mim) não fico satisfeita com nada. SE desejo o amarelo e, um dia ganho o amarelo, eu agora mudei de idéia, e quero o verde. E quando consigo o verde o que acontece? Eu quero o vermelho. E por ai vai novamente, mudando planos, acatando novas idéias, buscando novas satisfações..nunca satisfeita, nunca feliz por completo.

Por que,hein?

=)

Como é fácil…

26 Setembro, 2007

Nessas horas é fácil colocar a culpa no mundo moderno, no capitalismo, em Bush ou em Lula até! É fácil dizer que o desencantamento com a vida é culpa dos políticos corruptos, das pessoas que, em geral, são incapazes de viver sob regras. É simplesmente e absolutamente muito fácil dizer que o mundo está muito acelerado, que as máquinas tomaram conta de tudo, que o trabalho é sempre excessivo, que a sociedade moderna cobra demais, vive embaixo de conceitos vagos demais e que embeleza e valoriza as pessoas fúteis demais como forma de fugir da culpa que sei que é minha.

É facil colocar a culpa nos gnomos, nas fadinhas e nos deuses quando se percebe que é realmente dificil se auto-criticar, perceber um erro..um defeito (que é ainda pior do que errar, já que defeitos, normalmente, vêm sem escolha quando nascemos).

É tão fácil se esconder atrás de lágrimas, de cansaços, de desgates, de sono, de preguiça quando se percebe que é muito difícil crescer e assumir esse crescimento. É fácil existir e simplesmente existir quando se tem consciência que viver é muito mais complicado, que pensar requer esforço e que a frase “no pain, no gain” é a exata expressão do que é a vida.

É facil passar um ano colocando a culpa nos outros; o díficil é conviver com o arrependimento de ter permitido isso acontecer e ter permitido a vida passar, o mundo girar, as pessoas crescerem e evoluirem enquanto permaneci no mesmo lugar, ainda menina mimada, ainda pequena, ainda pobre, ainda fraca.

é fácil colocar a culpa no destino. é fácil se acomodar…como é fácil se acomodar!

E como é dificil, duro, doloroso perceber tudo isso!